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Tire o seu currículo do “basicão”

Quando alguém é demitido ou apenas está buscando novas oportunidades, uma das primeiras coisas que faz é digitar a expressão “modelo de currículo” no Google. Em menos de um segundo, a ferramenta de busca apresenta uma lista de 62.300 sites onde aparecem dicas e modelos para elaborar um curriculum vitae ideal. A verdade é que não existem modelos ideais de currículo, segundo Selma Fredo, da consultoria de gestão do capital humano DBM, de São Paulo. “Existem, sim, roteiros que podem orientar quem se candidata a uma vaga”, afirma.

A consultora lembra que, antes de redigir o currículo, a pessoa deve fazer uma espécie de rascunho. “Antes mesmo de buscar modelos na internet ou de escrever o currículo, é preciso fazer um exercício de reflexão e resgate de memória”, ressalta. Nesse momento, diz Selma, é importante resgatar as principais realizações profissionais. “Isso vai garantir argumentação para se defender junto a um interlocutor, quando estiver numa segunda etapa. Ajuda a fugir do basicão”.

Feito o rascunho, “que vai render um bom número de páginas” – lembra Selma -, é chegada a hora da filtragem, selecionando o que for mais relevante profissionalmente. “O ideal é fazer com que o avaliador fique curioso, queira saber mais sobre as competências do candidato”, explica. Ou seja, o currículo configura-se como um acessório que poderá – ou não – conduzir o candidato à entrevista pessoal. E aí que se aprofundará o que foi colocado no currículo, destacando desafios enfrentados, resultados conquistados, iniciativas propostas, posicionamentos de liderança, etc.

Para Selma, um currículo profissional deve ter duas páginas, podendo chegar a três – caso seja mesmo necessário. Ela recomenda que ao usar o modelo cronológico (que é o mais comum) coloquem-se as seguintes informações depois dos dados pessoais: objetivo, principais qualificações, histórico profissional, principais realizações e, só então, formação acadêmica completa e informações complementares.

Um bom currículo chama a atenção pelo conteúdo, e não pelo seu aspecto visual ou pelo excesso de algum tipo de linguagem, como a primeira pessoa. Selma diz que usar a primeira pessoa – ou seja, o “eu” – não é errado, mas corre-se o sério risco de que o candidato soe petulante: “Só se adjetiva quando há, de fato, muita consistência”.

No caso dos currículos enviados por e-mail, a apresentação não deve ser maior do que um parágrafo. É aí que reside o desafio de deixar a mensagem atraente. “São como as antigas cartas de apresentação”, observa Selma. “É importante dizer como chegou até essa pessoa [o selecionador] e fazer um brevíssimo relato da experiência profissional”, indica a consultora da DBM.

Na redação do currículo, o postulante a uma vaga pode optar por não colocar informações pessoais, tais como endereço residencial, estado civil e idade. O problema é que no Brasil, explica Selma, as empresas querem saber estas coisas. “O mercado é complicado, porque quer saber o que não deveria saber. Isso é discriminatório. Na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, é proibido exigir este tipo de especificação.” Caso o candidato opte por colocar estes dados, Selma sugere que o faça no final do currículo, junto às informações complementares.

A internet a serviço dos selecionadores

As empresas estão usando cada vez mais as redes sociais online para buscar informações adicionais sobre quem está sendo avaliado. O Orkut, por exemplo, é um dos mais comuns. No entanto, a ferramenta de maior sucesso tem sido o Linkedin, onde cerca de 40 milhões de profissionais compartilham informações, ideias e oportunidades no mundo dos negócios. “É um Orkut mais profissional, uma ferramenta global que tem sido amplamente utilizada”, destaca Selma.

Outra fonte de consulta profissional poderá ser, em breve, o Currículo Lattes (base de dados de currículos e instituições das áreas de Ciência e Tecnologia, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq). Ainda que hoje esteja direcionado apenas para o ambiente acadêmico, Selma diz que existe “um movimento muito sutil” para eleger o Currículo Lattes como mais uma poderosa ferramenta a serviço das empresas.

Por: Ricardo Lacerda / Redação de AMANHÃ


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